Dança Gawazi ou Ghawazee - O povo Cigano.


Quando pensamos em retratar um povo e seu estilo de dança, devemos atentar-nos para a necessidade de pesquisa, afim de que sejamos o mais fiel possível à sua cultura e costume. Com isso, transmitiremos a arte, sem faltar com o respeito ao povo e ao público que nos prestigia. Sendo assim, seguem algumas dicas importantes às estudiosas da Dança Árabe e principalmente um complemento àquelas que gostariam de representar uma ghawazee.
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As ghawazee, assim eram chamadas as dançarinas de ventre, no Egito Antigo, que se apresentavam nas ruas. Elas também recebiam o nome de “As Dançarinas do Povo”. 
São originárias do sul da Índia. Nesse país, há diversas danças populares, as danças são religiosas ou sazonais, porém as ghawazee também faziam uso da dança como forma de sustento de sua tribo.

Para conseguir identificar o perfil da dança ghawazee é preciso observar a origem dos ciganos. Todos os ciganos do mundo têm origem na Índia. As tribos ciganas originais deixaram aquele país no século V em busca de trabalho. Partiram para o Ocidente através do Afeganistão e da Pérsia, e se dividiram pelos rios orientais do Mediterrâneo. Alguns se dirigiram para norte e foram até a Europa, passando pela Turquia (lá as ghawazee eram chamadas zinganee ) e outros subiram pela costa sul até o Egito. 

A princípio sabemos que a tradição da dança ghawazee era com snujs. Com o tempo e com as viagens, incorporaram novos elementos, pois a sua dança era utilizada como entretenimento e de uma maneira comercial, portanto para atrair o público deveria ser bem criativa. As dançarinas ghawazee começaram a utilizar em sua dança o lenço e a bengala. A música e a dança são elementos essenciais de sua cultura. 


Em meados de 1830, se deu a máxima disseminação da dança das ghawazee, suas danças eram a melhor diversão de uma festa, porém Mohammed Ali governante do Egito proibiu a dança em público, e as que não cumpriam a nova lei eram expulsas do Cairo e mandadas para Esna. 

Segundo escritos de poetas, relatos de escritores e de pinturas de antigos artistas supõe-se que, as ghawazee, além da dança, eram cantoras, utilizavam-se da arte divinatória em concha, areia e taça, realizavam partos, sabiam tocar variados instrumentos, adornavam homens e mulheres com pinturas de tatuagens e eram contadoras de histórias. Além disso, participavam com suas destrezas, em cortejos de noivos, casamentos, animavam festas de aniversário e nascimentos. Elas andavam em grupos, pintavam o rosto e os olhos, adornavam-se com pulseiras, brincos e colares. 

Sua dança diferenciava-se pelo demasiado uso de movimentos grandes, cadenciados e marcados das ancas e pela ginga do corpo. Os braços sinuosos, ondulações e o deslizar da cabeça para as laterais são comuns nas danças indianas, persas, turcas e árabes, mas a dança árabe diferencia-se pela constante e complexa movimentação das ancas. 

“Em um recente vídeo denominado Latcho Drom exibido pela TV francesa, retratando a trilha dos ciganos, podemos ver no local do oásis situado no delta do Nilo um grupo de nômades onde as mulheres, embora com diferentes trajes das originais ghawazee, apresentam uma dança que tem como características, as batidas laterais de quadril, movimentos incrivelmente largos, fortes e soltos. Essas batidas de quadril são marcadas por batidas de um dos pés no chão.” ( Dunia La Luna)

As ghawazee costumam manter uma vibração constante nos quadris. 

São característicos os seguintes passos:

1- Percutir o pé (planta inteira) no chão durante as batidas laterais;
2- Acento forte para a lateral seguido de shimmy;
3- Shimmy em triângulo;
4- Saltinhos para trás como nas danças libanesas;
5- Movimentos de braços em círculo - no alto da cabeça ou na região do ventre;
6- Twist com acento diagonal;
7- Encostar-se uma na outra, pelas costas enquanto dançam.
8- Também praticavam algumas artes circenses, como equilibrar as bengalas na cabeça, nos quadris e no busto

Fonte: Blog O poder da dança.

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